Manco, com cerca de um metro e meio de altura, mãos e pés do tamanho dos de uma criança e voz débil. Quem olha para Issey Sagawa, um famoso apresentador de televisão japonês e crítico gastronômico, com 61 anos, não imagina estar diante de um canibal e necrófilo (alguém que se excita ao ver ou ter contato com um cadáver humano) que, em 1981, quando tinha 32 anos, matou uma estudante holandesa para depois comer o seu cadáver.

Issey é um assassino que se tornou uma figura pública que, ironicamente, também analisa casos de criminalidade e homicídio e dá conselhos sobre culinária. Desde pequeno é obcecado pela fisionomia dos ocidentais, sobretudo mulheres (altas, caucasianas e bonitas), que se tornaram o principal alvo da sua fantasia canibal.

Filho de uma família rica da cidade japonesa de Kobe, com 22 anos Issey foi estudar literatura em Paris e todos os dias levava até sua casa uma prostituta com a intenção de a matar. Nunca teve coragem, até o dia 11 de Junho de 1981, quando a estudante holandesa de 25 anos, Renée Hartevelt, aceitou o seu convite para jantar.

Pouco depois de Renée chegar, Issey executou o plano que há anos desejava concretizar: matou-a com um tiro no pescoço, passou horas se estimulando junto do cadáver e por fim devorou-o, começando pelas coxas.

Cinco dias depois, o canibal japonês desfez-se do que restava do corpo da jovem, afundando-o num lago, mas foi apanhado em flagrante por várias testemunhas e preso pela polícia francesa, que o declarou demente e impossibilitado de ser julgado.

 

 

Nessa altura, Issey Sagawa foi internado num hospital psiquiátrico de alta segurança mas, graças à influência do pai, em 1986 conseguiu a deportação para o seu país sem qualquer referência de que se tratava de um doente mental.

Hoje o Japão tem como figura pública alguém que descreveu a gordura humana como tendo “uma cor semelhante à do milho” e a carne da mulher que matou como “suave e sem cheiro, como o atum fresco; um agradável e único sushi”.

A justiça japonesa assume que se trata de um caso mal resolvido, mas diz nada poder fazer contra Issey Sagawa, uma vez que não pode julgar um caso que se passou em território francês.

 

 

Ele apresentou o programa Nippon All Stars, sobre feitos de japoneses no mundo; é comentarista e orador habitual. Inspirou as canções La Folie, dos Stranglers, e Too Much Blood, dos Rolling Stones. Foi estrela de um documentário do canal História: Rituais Estranhos.

Autor de vários livros sobre o crime que cometeu, e crítico de Shonen A, livro sobre assassinatos de crianças em série, ocorridos em 2007, na cidade de Kobe. Adora comer e não se coíbe de falar sobre o gosto da carne humana. É crítico gastronômico da revista japonesa Spa.

 

 

 

( Originalmente postado no Diário Insano )





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