04/07/2020 — João Carlos é  professor de História há 20 anos. Trabalha na rede de ensino pública e privada no município de São José dos Campos e por ser de direita é “persona non grata” entre professores e alunos esquerdistas,

Neste vídeo, ele explica porque os militares brasileiros são cooptados pelo positivismo.

Assista ao vídeo:

Vídeo do canal PROFESSOR JOÃO CARLOS no Youtube. Inscreva-se

 

O assunto é bem espinhoso: os militares e o Positivismo.

O que é o Positivismo e no que isso interfere na vida militar e na forma de agir dos militares?

O Positivismo é uma corrente filosófica que surgiu no final do século 19. Ela sofre influências do Determinismo e do Racionalismo. Essa escola filosófica foi fundada pelo filósofo francês Augusto Comte (ou Auguste Comte).

O Positivismo defende que tudo deve ser explicado cientificamente. É uma filosofia cientificista, por isso racionalista. Defende só o que pode ser explicado cientificamente através de fatos comprovados.

Assim, o Positivismo defende a ideia de que uma sociedade só pode ser feliz baseada no progresso científico e que o progresso levará a sociedade à felicidade.

O golpe militar de 1889 contra a monarquia brasileira teve muitos aspectos de inspiração no Positivismo de Augusto Comte (ou Auguste Comte). Os golpistas acreditavam que a democracia republicana através do voto era mais racional que um império hereditário. O mundo dava provas naquela época de que esse sistema político estava enfraquecendo-se. Então as democracias, principalmente no continente americano, estavam crescendo e mostrando, ao menos na teoria, que elas eram a vontade de uma ordem e de um progresso que estavam estruturando-se.

A República no Brasil foi instalada. O maior defensor do Positivismo dentro do governo do Marechal Deodoro da Fonseca foi Benjamin Constant, que além de ser professor da Escola de Guerra da Praia Vermelha do Rio de Janeiro e um dos grandes incentivadores da República, foi também ministro da Guerra. Benjamin Constant fez uma reforma no ensino colocando a filosofia positivista dentro das escolas e também trazendo uma cultura militar para dentro do ensino; a educação física, por exemplo.

 

O Positivismo defende a ideia da  Ordem e Progresso como consta na nossa bandeira nacional, que é uma bandeira de inspiração metade monárquica e metade positivista.

 

O Positivismo no exército brasileiro foi incorporado com essa visão: a da Ordem e Progresso, casando-se com a ideologia militar de honra e disciplina.

A separação estre Estado e Igreja foi muito incentivada dentro da República pelo pensamento positivista. A religião, que mexe com as emoções e com a espiritualidade, não tem nada a ver com o estado racional determinista e progressista do pensamento positivista.

Assim, na Era Vargas e depois dela, o Positivismo continuou progredindo com ideias acopladas a seu contexto mundial de progresso e de industrialização. Getúlio Vargas tinha ideias populistas desenvolvimentistas e estatizantes, colocando o Estado a frente de tudo, desincentivando o desenvolvimento privado do Brasil, atrasando o Brasil em décadas. Os militares estavam do lado desse pensamento porque era uma tendência mundial que, na época, era tida como progressista.

A partir da Segunda Guerra Mundial as coisas mudam um pouco de figura. Os Estados Unidos cria a Lei de Segurança Nacional. O exército americano, que não era positivista , passou a seguir a linha do Big Stick Policy ( também chamado de Big Stick Ideology e Big Stick Diplomacy ), onde os Estados Unidos se posiciona como a polícia do mundo e deve ser belicista, de modo a poder alcançar os seus objetivos de interferir e ocupar regiões de influência comunista.

O exército brasileiro começa sofrer a influência norte-americana. adotando a sua Lei de Segurança Nacional, na qual qualquer ideologia diferente da democracia e do capitalismo é nociva aos povos. Então o exército brasileiro pós-Segunda Guerra Mundial afasta-se do Positivismo e passa a ser mais politizado diante da Guerra Fria, onde era preciso escolher o lado: ou se estava alinhado com o comunismo ou alinhado com o capitalismo liderado pelos Estados Unidos.

No bojo dessas transformações, os militares brasileiros acabaram assumindo o comando da nação em 1964. Era uma vontade de uma classe conservadora brasileira que o exército tomasse as rédeas do poder porque o comunismo estava se infiltrando. João Goulart era simpático às ideologias chinesas comunistas, tornando o perigo premente. O ambiente do contexto daquela época era aflitivo e o exército tomou a frente, ocupando o governo brasileiro durante mais de duas décadas. Porém, após assumirem o poder eles adotaram novamente a postura progressista e desenvolvimentista do Positivismo, que concretiza-se com a construção de infraestrutura e obras públicas. Não que isso que seja errado. Mas, se não há educação política, os frutos do desenvolvimentismo cairão inevitavelmente em mãos comunistas mais tarde.

Eles seguem esse caminho desenvolvimentista e progressista e constroem obras públicas gigantescas , como Itaipu, Transamazônica ,projeto Angra 1 e Angra 2 de energia nuclear. Abrem ainda mais o mercado para várias multinacionais se instalarem no Brasil, o que já vinha ocorrendo desde a década de 50 dentro do bojo da Guerra Fria.

Entretanto, quando acabam os Governos Militares no Brasil, o Positivismo retoma as suas funções: um militar brasileiro passa a ser técnico não politizado. As escolas militares brasileiras ensinam a parte técnica e param de ensinar a parte política ideológica do mundo capitalista que regeu o exército brasileiro durante o pós-guerra.
É por essa razão que nos dias de hoje os militares brasileiros são extremamente técnicos, defendem a ordem e não defendem de maneira nenhuma a tomada do Poder. Eles acreditam que é através da discussão política e dos acordos políticos de consenso que a nação chegará ao progresso e felicidade. Jamais através de uma intervenção.

Para os positivistas, seguir a vontade popular é seguir as emoções. O positivismo segue a razão.

Essas são algumas das implicações do Positivismo dentro do exército brasileiro no pós-Governos Militares no Brasil. Os militares se transformaram em técnicos não politizados e pensam em desenvolver a nação com construções e infraestrutura. Politicamente eles creem que manter a paz através de acordos políticos é uma forma racional de se atingir um governo eficiente, a paz e felicidade da Nação. Por essas razões os militares não tomam o Poder.
 

O Presidente Jair Bolsonaro é da ala militar. Por que que ele então tem uma visão diferente?!?

 
Jair Messias Bolsonaro entrou na política há 28 anos. Teve contato com o embate político e com a guerra cultural, que é uma das coisas que os militares desconhecem. Eles acreditam que isso não é provado, não é fato, que é invenção, que são teorias conspiracionistas apenas. Então eles não atuam na guerra cultural.

O nosso Presidente viu o mundo político, viu os embates. Tem noção e é engajado na guerra cultural contra o domínio gramscista em várias áreas do Governo e da sociedade brasileira.

Porém, a ala militar que atua no governo aproxima-se mais do Centrão, dos democratas. Pensa que através de conchavos políticos, que é uma “forma racional de política”, atinge-se a paz social e que qualquer movimento que venha das ruas pedindo alteração no Poder é contaminado pela emoção, totalmente diferenciado da razão e que por isso não deve ser levado em conta.





Posts Relacionados

Deixe um comentário

error: Content is protected !!